Para alguém que passou pela UFES (ainda que brevemente, como eu), seja pelos cursos de Economia ou História, o britânico Eric Hobsbawn, constitui leitura obrigatória para o entendimento sobre diversos aspectos que envolvem a interpretação do século XIX sob a perspectiva marxista histórica, tais como as revoluções burguesas, o processo de industrialização, as diferentes manifestações de resistência, luta e revolta da classe trabalhadora etc.
Sobre o marxismo histórico em si - e antes mesmo que algum apressado trate logo de apontar a burguesinha que vos escreve como uma camarada-vermelha-rebelde-sem-causa - é bom que se diga: o materialismo histórico, que em breves linhas institui uma abordagem economicista para o entendimento da história na qual a luta de classes sociais é que determina o rumo daquela, tem sim o meu respeito. Como, aliás, todas as outras teorias com as quais eu não concordo plenamente também têm.
Aprendi que não é necessário muito esforço para que isso seja possível. Espaços de diálogos que permitam às pessoas colocarem de maneira inteligente e sem apelos demagógicos baratos suas posições são sempre bem vindos e fundamentais para uma sociedade da qual desejo fazer parte.
Entretanto, com o devido respeito a que mencionei acima (e que, definitivamente, não é uma impressão de marketing pessoal) devo dizer que o marxismo histórico nunca foi a minha opção para a a compreensão da história.
Tenho para mim que a ênfase econômica dos estudos realizados pelos historiadores marxistas não abarca todos os aspectos da vida das sociedades ao longo da história.
Ao contrário, aspectos também importantes da vida cotidiana das sociedades na história não estão dentro do foco marxista: cultura, tradição, geografia, segmentações sociais que vão além da divisão clássica entre operários X capitalistas, e, principalmente, a capacidade individual do ser humano de RESISTIR e ROMPER (seja através de revoluções ou opções pessoais) sugerem, pelo menos para mim, uma perscpectiva muito mais ampla a respeito da história. Com o perdão do simplismo que aqui me ponho a resumir, essa perspectiva se aproxima muito mais de outra corrente histórica defendida pela Escola dos Anales. Mas enfim, é apenas uma opção pessoal.
(Ahhhh, como eu queria ser como a RINA ou o RICARDO BIGGOU´S e saber colocar aqueles links no meio dos meus posts!!)
Mas enfim, voltando ao grande historiador que me fez escrever este post.
Como dito, Hobsbawn dedicou-se à interpretação do século XIX.
Sobre esse período, publicou estudos importantes, como "Era das revoluções" (1789-1848), "A Era do capital" (1848-1875) e "A Era dos Impérios "(1875-1914). Mas foi com "A Era dos Extremos", lançado em 1994, e uma das obras mais lidas e indicadas sobre a história recente da humanidade que seu prestígio alcançou status global. Nela, Hobsbawn analisa os principais fatos desde o fim da Primeira Guerra Mundial, da Revolução Russa até o fim dos regimes socialistas da ex-URSS e dos países do leste europeu.
Dos livros aqui citados confesso - envergonhada - que somente li a Era dos Extremos e que desde já recomendo aos que lêem este post.
Curiosamente, em meio a tanta bobagem que ando lendo, encontrei um Hobsbawm velhinho e de imensos óculos com armações pretas estampado na capa de um livro na Saraiva: trata-se de seu mais recente livro, "Tempos Interessantes", publicado em 2002, onde discorre novamente sobre o século XX porém com uma maestria que só mesmo "cabeçudos" como ele poderiam fazer: inter-relaciona os fatos históricos com a trajetória da sua vida pessoal! Uma espécie de auto-biografia.
Por mais que os "Tempos Interessantes" de Hobsbawn possam não aprecer tão interessantes aos Docinhos que por aqui ainda vagam e também tão estranho ao conteúdo nada produtivo da maioria das coisas que escrevo, lamento informar que pelo menos enquanto o encantamento dessa leitura reinar alguns posts inevitavelmente farão referência a esta obra.
Assim, obrigada pela paciência!
(Apesar do que, duvide-o-dó que alguém conseguirá ler este post até o final sem se entendiar pelo caminho, Rs!)
Ps. Aos Camaradas Vermelhos, que por ventura leiam este post, peço que não me entendam mal, pois sem bem que o marxismo, em sua essência, não é econoicista. Refiro-me aqui apenas abordagem materialista da qual Hobsbaws é um expoente inegável.