Segunda-feira, Junho 30, 2008

:: Objeto de desejo ::


Mon dernier objet du désir:
la mademoiselle by Phillipe Starck.


Tem jeito da gente esquecer algo que muito quer?

Ai, minha Nossa Senhora das Dívidas!

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  Terça-feira, Junho 24, 2008

:: Monumento Nordestino ::

Presentinho para moi: 1 DVD e 3 CDS com a mais pura conversa fiada do velho "Lua". Tudo de bom! Mais eu, impossível.



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  Segunda-feira, Junho 23, 2008

:: Sobre a salvação da minha alma ::

As coisas que tenho dito sobre Deus fizeram com que muitos dos meus leitores ficassem temerosos sobre o futuro de minha alma, no outro mundo. Acham que vou para o inferno. Eles pensam que, se a gente não pensar certo, Deus castiga. No inferno estão os pecadores que roubaram, fornicaram e mataram, e aqueles que ousaram pensar suas próprias idéias. Pensar certo, na cabeça deles, é pensar do jeito como pensam os padres e os pastores. Para tranquilizá-los vou me explicar.
Sobre a Bíblia. Eu a estudei muito e a amo. Para mim ela é um poema cujas palavras me confortam e me fazem mais sábio. Mas é preciso fazer uma distinção entre as palavras do poema, escritas, e aquilo que as pessoas pensam, ao lê-lo. Toda leitura é uma interpretação, isto é, os pensamentos das pessoas que a lêem. Todo sermão é pensamento de um homem e não pensamento de Deus. A interpretação é diferente do poema. Cada igreja, cada congregação, cada seita se organiza em torno de uma interpretação particular, palavra de homem. Mas cada uma delas tem a ilusão de que a sua interpretação é a Palavra de Deus. Sendo a Palavra de Deus, é única verdadeira. É muita presunção pensar que somente a minha seita interpreta certo e todas as outras interpretam errado.
O que eu escrevo é a minha interpretação, tão problemática quanto qualquer outra.
É preciso não se esquecer da sábia afirmação do apóstolo Paulo: Nós não sabemos direito as coisas; o que vemos são reflexos trêmulos e obscuros num espelho mal polido. É preciso não confundir os reflexos no espelho com o rosto verdadeiro que ninguém jamais viu.
De Deus, a única coisa absolutamente certa que conhecemos é o amor (1 Cor. 13).
O que é a fé? É também uma questão de interpretação. Pessoas há que pensam que fé é um recurso mágico que garante que Deus vai nos atender. Para elas um Deus que não atende pedidos é um Deus muito fraco. Elas desejam garantias.
Na minha interpretação fé é uma relação de confiança com Deus: é flutuar num mar de amor, como se flutua na água.
Quem é que ama mais o pai? Aquele que é fiel ao pai porque ele lhe dá os presentes pedidos, ou aquele que ama o pai, mesmo que ele não lhe dê presentes? A gente ama o pai é pelos presentes, bênçãos, que ele dá, ou por ele mesmo? Amo a Deus mesmo que não me dê presentes.
Acho que Cristo enche todos os espaços do universo. Lutero falava da ubiquidade do corpo de Cristo e dizia que ele está presente até na menor folha, muito embora nas folhas o nome dele não esteja escrito. Quem ama uma folha ama Cristo. Quem tem amor respira Cristo, mesmo que não fale o nome dele.
Tiago diz que os demônios sabem tudo sobre Deus e, no entanto, são demônios.
Os reformadores falavam no Christo absconditus – isso é, o Cristo escondido, invisível, sem nome, em toda a Criação. Quem ama, mesmo que não cite as Escrituras e nem saiba o nome de Cristo, está nele.
Cristo não pode ser engarrafado em nomes religiosos. Isso seria heresia, negar a sua onipresença. As Escrituras Sagradas são um livro enorme.
Muitos dizem que as Escrituras inteiras são inspiradas. Se realmente acreditam nisso, então todos os textos têm de ser objeto do nosso amor, são “palavras de Deus“. Noto, entretanto, que eles se comportam como se alguns textos fossem mais inspirados do que outros. Fazem silêncio sobre muitos textos. Por exemplo, nunca ouvi sermão católico ou evangélico sobre “Amada minha, em tua língua há mel e leite. Teus seios são como duas crias gêmeas de gazela...“ (Cânticos 4:11, 5); “Anda, come teu pão com alegria e bebe contente o teu vinho... Goza a vida com a mulher que amas todos os dias da tua vida...“ (Ecl. 9:7 e 9). Por que o silêncio? Acho que, secretamente, eles acreditam que uns textos são mais palavra de Deus do que outros...
E quanto ao destino de minha alma, não se preocupem. Foi Jesus mesmo que disse aos fariseus, religiosos que viviam citando as Escrituras e tentando converter os outros, que as meretrizes entrariam no Reino dos Céus antes deles.
E notem: Jesus não disse: meretrizes arrependidas. Entram as meretrizes mesmo. Depois delas, então, entram os fariseus hipócritas e tudo o mais que Deus criou. Deus criou tudo, não é? Se ele criou tudo, vocês acham que ele ia entregar ao Diabo aquilo que saiu das suas mãos?
Um Deus que é todo amor não pode ter, na eternidade, uma câmara de torturas sem fim em que as almas sofrem por pecados cometidos no tempo. Dívidas no tempo ficam dívidas eternas? Só se Deus for dono de banco...Quem iria ficar feliz com isso é o Diabo. E vocês acham que Deus está a fim de realizar os desejos do Diabo?
No fim, o amor de Deus triunfa! E nós todos, vocês, eu, meretrizes, e tudo o mais, estaremos entrando...
(Transparências da eternidade, Verus, 2002) - RUBEM ALVES
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:: É... ::

É... Vamos a mais um post que fará muito pouco ou nenhum sentido para muitos Docinhos que ainda vagam por essas bandas.
Ando mesmo preocupada com a "salvação da minha alma".
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  Domingo, Junho 22, 2008

:: Me, My blog and I ::

O contraditório em se ter um blog é que algumas coisas são escritas exatamente para acalmar o coração de quem as escreve e não de quem as lê.
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:: Metáforas da fé ::

Painel - Qual seria a sua reposta se uma criança de dez anos de idade lhe perguntasse o que é fé?
Rubem Alves - Usaria uma metáfora poética para dizer o que é fé. Fé é aquilo que uma pessoa que voa de asa delta tem de ter no momento de se lançar no espaço vazio. Não é acreditar em seres do outro mundo, anjos, céu, inferno e nem mesmo Deus. Fé é uma atitude perante a vida, intraduzível em palavras. Sobre essa confiança nos lançamos sobre as incertezas. A fé só existe diante do abismo das incertezas. Quem tem certezas não precisa ter fé. É fanático, capaz de matar os que pensam diferente. Quantas pessoas foram mortas em fogueiras e guerras simplesmente porque não tinham as mesmas idéias da religião dominante? Fico perplexo ao ver pessoas que têm certezas. Quem tem certezas é um idiota.
Painel - Se ter fé não é acreditar em seres do outro mundo, então quem é Deus?
Rubem Alves - Não sei. Diria que todas as coisas do universo são fragmentos dele. Ter uma definição de Deus implica aprisioná-lo na gaiola dos seus conceitos. Um Deus que pode ser pensado não pode ser Deus. Isso significa que ele é menor que meu pensamento. Ele é um grande mistério. É apenas imaginação, poesia. Vamos entender Deus como um sagrado. Todas as vezes que eu lido com a beleza e a bondade estou lidando com o sagrado. Dizer que Deus é um espírito imutável, símbolo de poder, de sabedoria, santidade suprema, falar que Ele é a verdade, é onipresente, blá blá blá ...é tudo abobrinha de filósofo. Significa nada. É um conceito que pode ser escrito num livro, mas que nada tem a ver com a experiência das pessoas.
Painel - Hoje, como é possível exercer a fé no dia-a-dia?
Rubem Alves - Mesmo que tudo indique que a bondade vai para o buraco com os Bush's, os Sadam's e os juízes corruptos da vida, por puro amor, eu digo que vou tentar viver a bondade no cotidiano. Se você for viver a bondade por que Deus manda, não vale um tostão furado. Amar o próximo por que Deus quer não é amar o próximo. Eu amo o próximo porque eu o amo e não por que Deus manda.
Painel - Como a Ciência pode discutir a fé?
Rubem Alves - Vou fazer uma tradução da sua pergunta: é possível tratar cientificamente a poesia? Não. Ciência e poesia se referem a níveis distintos da experiência humana. Não há conflito entre eles porque a Ciência tem a ver com fatos e a fé com sentimentos. Os conflitos aparecem quando as pessoas religiosas pensam que os textos sagrados são científicos, declarações de fatos realmente acontecidos. O nascimento virginal é fato ou é poesia? Se é fato, está perdido no passado. Se é poesia é eternamente válido para todos.
Painel - É possível separar fé de religião?
Rubem Alves - Religião é uma tentativa de engaiolar o Pássaro Sagrado, um símbolo que eu uso para Deus. Fé é amar o Pássaro Sagrado no seu vôo. Religiões são instituições. É possível ser um "funcionário" de uma religião - padre, pastor, rabino - sem ter nada de fé. E, por vezes, para se manter a fé é preciso aceitar a solidão que mora fora das religiões.
Painel - Hoje no Brasil, quem pode ser considerado um ícone da fé?
Rubem Alves - É impossível dar nome aos bois. Fé é uma condição interior, da alma. Será que eu posso dizer que o padre Marcelo Rossi tem fé ou é simplesmente um artista de teatro? Eu não sei quais são seus pensamentos quando ele se deita na cama. Encontramos a fé principalmente nas crianças, que nada sabem sobre religião. Elas vivem o dia-a-dia. Quem tem essa tranquila experiência de viver o cotidiano são apenas as crianças. Na medida em que ficamos adultos, a gente começa a perder esta simplicidade e a passa a viver na ansiedade.
Painel - O que o senhor acredita que vai lhe acontecer um minuto após sua morte?Rubem Alves - Sobre isso tenho certeza absoluta: vou estar morto, mortíssimo! E os que ficarem vão tomar as providências para a cremação (risos).
Painel - Isso que dizer que o espírito também acaba com a morte?
Rubem Alves - Essa é uma pergunta impossível de ser respondida. Uma coisa é esperar que de alguma maneira eu possa voltar, e eu não tenho o menor interesse nisso. Eu gosto é desse mundo e quero voltar para a minha infância. Agora, aqueles que têm certeza que vão pro céu pra mim são uns idiotas completos. Como é que você vai ter certeza de uma coisa absolutamente misteriosa? Estarei morto...pode ser que eu fique morto, não sei. Mas, se ficar, darei a minha vida como muito bem vivida. Não preciso viver eternamente.
Painel - O senhor gostaria de ir para céu?
Rubem Alves - Não quero ir para o céu. E nem a escritora Cecília Meirelles queria. Sou um ser desse mundo. Quero o cheiro do capim gordura, os pores-do-sol, o prazer do abraço e a delícia do banho de cachoeira...
Painel - E para o inferno, isto é, se ele existir?
Rubem Alves - Eu não sei quem inventou esta idéia que Deus faria uma câmara de tortura para botar seus desafetos por toda a eternidade. Esse Deus não mereceria meu menor respeito. Não o amaria. Eu que sou humano não teria coragem de fazer isso com meus desafetos. Pode ser que eu até os pusesse por seis meses num lugar de sofrimento, mas a eternidade não! (risos). Para protestantes e católicos, basta não acreditar em Cristo que você já vai para o inferno. Deus me livre! Que coisa horrorosa! Sei lá quem é Deus, mas uma coisa eu sei: ele não é vingativo. O meu Deus não tem inferno para ninguém porque ele é o símbolo da bondade.
Painel - Se o inferno não existe, então por que as pessoas ainda acreditam no Demônio?
Rubem Alves - Tenho uma teoria pessoal sobre o ser humano. Ela diz que o corpo é um albergue no qual moram muitas versões diferentes de mim mesmo. Então tem o Rubem Alves filósofo, o poeta, o pai, o jardineiro, o cafajeste e até o Rubem Hulk. Cada um está no seu quarto sob controle. De repente, dá um piripaque e sai o Hulk lá de dentro. Solto, ele faz aquele estrago. Aí é a vez do adminstrador do albergue ter aquela trabalheria de catar os cacos, colocar as coisas em ordem e pedir desculpas. Há dentro de nós versões, vamos dizer, demoníacas de nós mesmos. Partes de nós são capazes de nos destruir. A isso eu daria o nome de Demônio. A proporção é que varia. Tem pessoas em que ele toma conta de quase todos os quartos. Acreditar no Demônio é muito conveniente, pois botam a culpa nele quando fazem alguma coisa horrível. É necessário reconhecer que todos nós temos uma parte sinistra, sádica.
Painel - Como os meios de comunicação atuam na disseminação da fé no Brasil? Isso é positivo?
Rubem Alves - Nunca vi isso. Sei que eles atuam para a comunicação de idéias religiosas. Mas não conheço nada, nos meios de comunicação, que tenha a ver com a comunicação da fé, que, como já disse, nada tem a ver com religião e idéias sobre o outro mundo.
Painel - Quem é Rubem Alves?
Rubem Alves - Eu sou diferente em cada momento. A minha alma é uma viajante do mundo. Vou fotografando o mundo e me divertindo com as coisas que acontecem. Acho que foi o escritor Fernando Pessoa que disse uma vez que a vida é uma grande feira com mágicos, trapezistas e artistas...uma grande confusão. Não tem jeito de dizer quem eu sou. Não sei e ninguém sabe.
Painel - Então, qual é a sua 'receita' de vida?
Rubem Alves - A minha receita é a seguinte: a vida é maravilhosa e tenho que viver intensamente cada dia por que ninguém sabe nada sobre o amanhã. Isso é o que diz o "Carpe diem" da minha porta.
Painel - Como escritor, o senhor tenta passar algum conceito de fé em suas obras?
Rubem Alves - Nas minhas obras eu não tento passar coisa alguma. Eu só escrevo aquilo que estou sentindo. Se vai ser passado ou não, isso não é questão para mim. Mas os meus escritos estão cheios das imagens de beleza e bondade. Mas muitas pessoas me escrevem agradecendo porque o Deus sobre quem falo é o Deus da beleza, da bondade. Deus sem vinganças, sem inferno...Fé, tal como eu a entendo, é viver ousadamente, tomando riscos, sendo livre, lutando por causas bonitas, plantando jardins...Quem planta um jardim anuncia o Messias.
Painel - Como educador, o senhor concorda que se ensine religião nas escolas?Rubem Alves - Ensinar religião para converter, não. Mas as religiões são parte da experiência humana como a música, a poesia, a arquitetura. Ensinada assim, o conhecimento das religiões, no plural, enriquece as pessoas. Ensinada como conhecimento de uma religião, empobrece.
Painel - Qual é o futuro da fé da Humanidade?
Rubem Alves - Não tenho a menor idéia e nem me preocupo com isso...
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  Quarta-feira, Junho 18, 2008

:: Eureka ::

Hoje eu descobri que o molho de pimenta do Ceará é um ótimo expectorante.
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  Segunda-feira, Junho 16, 2008

:: Cenas ::




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:: E.E.Cummings ::

E, falando em Cummings, um pouco mais do mesmo:

"Eu vos agradeço, Deus, principalmente por este dia
incrível: pelos saltitantes espíritos esverdeados das árvores
e um verdadeiro sonho de céu azul; e por tudo
o que é natural o que é infinito o que é sim.

(eu que morri estou vivo de novo hoje,
este é o aniversário dos sóis; esta é a data
de nascimento da vida e do amor e das asas: e do alegre
grande acontecimento que é sem dúvida a terra)

como o paladar o toque da audição e visão
o respirar do - elevado do nada
de todo o nada - meramente ser humano
pode duvidar do inimaginável Vós?

(agora os ouvidos de meus ouvidos acordam e
agora os olhos de meus olhos se abrem
)."
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:: Heimen ::

Heimen é um daqueles lugares que nos passa a certeza de que Deus existe e deve estar por perto.
Lindo, em natureza e espiritualidade, Heimen que significa “casa” em Norueguês, é um convite aos sentidos humanos para que regressem à sua essência - sem os vícios do esforço comum, sem os vícios da maledicência e da ansiedade. Um chamado aos ouvidos dos nossos ouvidos, aos olhos de nossos olhos como diria Cummings.
E assim, "A Casa" foi apenas uma casa, o verde apenas a cor das ávores e o senhor de jardineira com sua princesa no Jardim, debaixo do sombreiro próximo a Pedra donde fora escavada uma piscina natural com águas mornas, apenas uma cena, digo, uma pintura.
Por alguns instantes não pensei, e entreguei meus olhos ao que via. Por alguns instantes segui em paz. Fato é que depois de Heimen tudo ficou tão relativo e tão esclarecido: a alma não se cansa nunca da beleza.

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  Terça-feira, Junho 10, 2008

:: Tão, tão, tão unidos! ::


Conspirações dinásticas tanto fizeram que conseguiram:
diretamente do Reino de Tão-tão-tão Distante,
os mais novos noivos, agora, "tão-tão-tão unidos".
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:: Ausência ::

Sem desculpas para a ausência. Ou melhor, as desculpas de sempre: preguiça mental.
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