Terça-feira, Abril 15, 2008

:: Contradição ::

Tá. Agora que já cumpri o papel de mulher-moderna-antenada-e-militante-da-psicologia-humanista-ultra-mega-segura-de-seus-sentimentos-que-recusa-a-se-entregar, não se assustem se nas linhas a seguir este Castelo Gelado de Idéias Prontas que vos escreve, ceder aos apelos da mulher-mulherzinha-semi-neurótica-e-romântica-assumida, o alter-ego que também aqui encontra morada de tempos em tempos. É simples: estou carente, então não me cobrem coerência!
|

:: Epifanias ::

Às vezes eu me pergunto: seria a tristeza a morada de todas as epifanias? Pergunto mesmo por ousadia, pois resposta cerrada a esta pergunta não deve haver. Não mesmo.
Restringir a grande epifania de ser quem eu realmente sou aos momentos em que estou a chorar? Não mesmo!
|

  Quinta-feira, Abril 10, 2008

:: Bons tempos ::

Quando eu era criança pequena não em Barbaçena, mas em Coqueiral, eu gostava de brincar de "futuro". Era tão bom...
|

  Segunda-feira, Abril 07, 2008

:: Caliente ::



Foi Muito


Mais

Que

Legal!

|

  Sexta-feira, Abril 04, 2008

:: Estranhices: um sei que de não sei o que::

Gosto de caju é bom. Mas gosto de suco de caju nem tanto. A mesma coisa com morango. Já com maracujá é o contrário: abaixo a fruta e vivas ao suco. É... Suco de maracujá com gengibre. Sensacional. Água: só de for de canudinho. Água com canudinho tem gosto diferente. Água, aliás, dá bafo de velho. Trident de Hortelâ e Pastilhas Garoto também. Balas de canela dão dor de cabeça. Ouvir a Jovem Pan também. Mas o gelo... Hmmm... Seis copos de gelo triturado por dia não dão bafo nem dor de cabeça. Banho frio? Nem no México. Banho quente? Sempre. Não dá para entender - e atender - o telefone quando se está no chuveiro. Então, por que diabos as pessoas da família insistem em gritar: "Fulano, telefone!". Se a cama ficasse encostada na parede seria bom. Setir a parede geladinha nas costas é bom. Se a cama não tiver "coisas" - não adianta, ninguém vai entender que coisas seriam essas - ao pé dela seria ótimo. A sobremesa tem de ser antes da refeição. Bolo de laranja com calda de açúcar é bom demais. Bolo de chocolate, nem tanto. Empadinha, empada e empadão: não existe forma ainda que permita uma digestão saudável. Carne moída com batatinha, arroz, feijão velho, pinduca e banana cortada não é assim um "menu" digno de Paris, mas é bom demais. Amigos de infância são tudo de bom. Amigos demais nem tanto. Lívia, minha amiga, levou-me uma maçã acompanhada de uma faca quando estava internada no hospital. Perguntei o porquê da faca e ela disse: sua vó disse que você só come maçã com faca. Uma verdade de 24 anos na época. Avós são a coisa mais maravilhosa do mundo. Vestidos do modelo, mas em cores diferentes. Pé esquerdo nº 35, pé direito sapatão: nº 36. Correr na praia aos 18 anos era complicado; aos 26 quase - eu disse quaaaaaase - um prazer. Cores pálidas. Vermelho, nunca. Canto gregoriano traz paz. Funk das antigas pode não trazer, mas descontrai. "É molinho de achar é numa rua logo ali, É facinho de encontrar, é lá na Feira de Acari, É sim, Lá em Acari". E a feira de Caruaru? De tudo que há no mundo nela tem pra vender. Cinema aos domingos nem sempre é o melhor programa do mundo. Nem assistir ao Cirque du Soleil (pode dar sono na parte dos palhaços, mas é normal).Uma frustraçãozinha de vez em quando é bom. Prepara a gente para o futuro. Dessacralizar a família faz parte do processo de amadurecimento do ser humano, mas nem todos entendem isso. Voltando ao assunto... Bom mesmo é coca-cola. Always.
|

  Quarta-feira, Abril 02, 2008

:: Fracasso ::

A diferença entre fé e religião sempre foi muito clara a minha compreensão. Mas, ainda assim, me sinto um verdadeiro fracasso quando o assunto é religião.
|

  Terça-feira, Abril 01, 2008

:: A arte da escutatória ::

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.´
Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.
O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.
Rubem Alves
|