:: JUNO ::
Parte da crítica já tratou de classificar JUNO como o filminho comercial seguidor da linha filme-indie-candidato-a-cult que deu certo. Mas, como eu não estou nem aí para os conceitos de efeito desse pessoal entendido em crítica alternativa (até porque, como diria meu querido Antônio Tebet/Kibe Loco: “Conceito de c* para mim, continua sendo rol@!”), eu resumiria o filme em uma palavra: adorável. Simplesmente adorável.Confesso que andava meio desanimada com o cinema. Desanimada e cansada de tramas repletas de carrões, diamantes, mulheres gostosas, conspirações políticas, golpes e demais histerias modernas. Fora aquelas montagens de flash back/flash forward acompanhadas de trilha sonora estridente que dão uma dor de cabeça danada.
O mal costume de aguardar pelo momento em que alguém iria necessariamente passar a perna no outro, esteve presente até o término do filme, latente: “Não é possível, alguma coisa suja ou surpreendente – pois os filmes são sempre surpreendentes – há de acontecer.”
A surpresa ficou por conta da simplicidade e sensibilidade que regeu a temática do filme que, para uns se resume ao dilema da gravidez na adolescência, mas para mim, esbarra na banalização da sexualidade (quando as coisas acontecem por mil razões que não aquela que eu acredito que deve unir duas pessoas: amor). “As pessoas deveriam primeiro se apaixonar, e depois reproduzir”, esta é a frase que me leva a essas considerações.
Diablo Cody, autora do filme, soube dar consistência à falta de maturidade de sua personagem sem julgá-la ou diminuir seus dramas. E isso é muito difícil.
A própria Ellen Page, que interpreta JUNO, ao responder uma pergunta em que o jornalista diz que as pessoas acreditam que JUNO não é uma adolescente real responde: “Estamos tão acostumados à visão única como os adolescentes são retratados pela mídia que, quando aparece um personagem que é multifacetado, engraçado, esperto, articulado, as pessoas acham que é alguém que não existe. Mas esse tipo de adolescente existe, sim.”
Claro que muita gente não vai gostar da maneira como a personagem trata a gravidez (para ela, o neném só teve expressividade quando uma ativista anti-aborto lhe disse que os fetos possuíam unhas), mas isso não vem ao caso. Sentia falta de um filme que me permitisse reconhecer bons sentimentos, boas atitudes, boas pessoas.
JUNO surpreende, talvez porque foge do lugar comum e aborda o assunto de forma descontraída, sem lições de moral.
Adorável e recomendável!



