Há dois meses escrevi sobre o caso Richthofen. Lembro que acompanhei bem a cobertura naquela época, tendo ficado bastante impressionada com a veemência que Sônia Abrão tratou o caso, tudo, é claro, com interrupções - sempre pertinentes - de merchans de Financeiras, chás emagrecedores, e a palavra de fé do Bispo proprietário da Emissora.
Desta vez só tive acesso à cobertura disponibilizada da Internet, ainda assim, já sei o antigo e o novo endereço da Suzane (rua, número, bairro, e ponto de referência!). Mas pelo que andei acomanhando, o show ficou por conta da guerra de vaidades entre os advogados de defesa, os promotores e o juiz da causa, que acabou culminando com o adiamento do julgamento.
E assim caminha a justiça neste país.Para quem não leu, segue o meu texto:Desde ontem não páro de pensar na Suzanne, que agora voltou para a cadeia após a entrevista dada ao “Cansástico”. Nunca imaginei que diria isso, mas a verdade é que tenho pena dela. Pensando bem, tenho mais pena da mídia e das pessoas que a tomaram como um referencial para tudo o que existe de mais execrável no mundo em suas vidas.
Eu explico. Cheguei a conclusão que a Susanne é uma espécie de bode expiatório para muita gente, pois ela é tão má, que os faz sentir bons. Algumas pessoas precisam da maldade e da incoseqüencia alheia para exercerem toda a sua “humanidade” em julgamentos cheios de soberba e hipocrisia.
É lógico que ela estava forçando a barra ao fazer o tipo retardada, e que estava sendo orientada nesse sentido por seus advogados, mas o que as pessoas esperavam? Que ela confessasse em rede nacional que realmente mandou matar os pais? Isso todo mundo já sabe! Queriam que ela tivesse apenas dignidade para dizer que estava arrependida, sem fazer muita cena? Provavelmente as pessoas se impressionariam com a sua frieza, acaso ela agisse assim.
Ou será que as pessoas se contetariam apenas com novos detalhes do crime, como verdadeiros abutres ansiosos pela carniça alheia? A miséria dos detalhes é um prato que se come sempre fora de hora.
Sinceramente não acredito que qualquer espécie de arrependimento (sincero ou forjado) aliviaria a barra dela perante a sociedade e a justiça, e nem que isso seria desculpa para o crime que ela cometeu. Aliás, é bom que fique claro que não estou defendendo ou pormenorizando a atitude dela, nem esquecendo-me das injustiças que ocorrem nesse país, aonde uma pessoa que rouba um litro de shampoo e um pote de manteiga vai para a cadeia, e outra, que participa de um crime hediondo fica em liberdade. Nada disso. Mandar matar os próprios pais, e, aparentemente por motivos egoísticos (sempre o dinheiro!) é
O que me impressiona é o falso moralismo das pessoas que, sentadinhas em seus camarotes diante do Show da Vida, anseiam pelo arrependimento e a ruína da pessoa por pura vaidade. Querem o arrependimento, mas num contexto de vexame e de impiedade. Dizem o promotor de justiça, a Sônia Abrão e a consulta popular: Ela é fria, não chora! Tá, e se ela chorasse, acaso ela não iria mais para a fogueira? Como se as lágrimas fossem um privilégio dos justos.
Tudo bem. Vamos combinar que para essas pessoas o perdão, assim, gratuito, por um erro tão grave como o dela é privilégio para Jesus Cristo apenas.
Façam suas apostas e comprem suas pipocas, pois o show maior ainda está para acontecer em junho, durante o julgamento do crime.